A bolha de consumo estourou? | Phi Investimentos

A bolha de consumo estourou?

A bolha de consumo estourou?

bolha de consumoDe um lado, as vendas de produtos ligados à renda real do consumidor. De outro, o comércio movido artificialmente à base de crédito. Confira a seguir na coluna deste mês de Luiz Carlos Mendonça de Barros para o Jornal Valor Econômico o destino da bolha de consumo. Criada artificialmente pelo governo no ano eleitoral de 2014, ela já não se sustenta este ano. E agora? Confira a seguir a visão Mendonça de Barros. Engenheiro e economista, ele é diretor-estrategista da Quest Investimentos, parceira da PHI Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações durante o governo FHC.

A bolha de consumo, a prova do crime

O leitor do Valor conhece minha posição de que vivemos hoje no Brasil o ocaso de duas forças estruturais que comandaram nos últimos 12 anos nossos destinos de cidadãos. A força da economia nos anos Lula – e no primeiro mandato da presidenta Dilma Rousseff – permitiu a construção da hegemonia política em torno do PT e de seus líderes principais. Sabemos hoje que outra força auxiliar – a corrupção construída institucionalmente pelo PT junto à máquina pública brasileira – ajudou no estabelecimento desta hegemonia.

Mas é importante entender que foi – de longe – a força da economia entre 2004 e 2012 que permitiu o domínio político e social do Partido dos Trabalhadores a partir do bem-estar de grande parte da sociedade.  Os outros mecanismos foram apenas pichulés, para usar uma expressão muito em voga na mídia hoje. Por acreditar nesta correlação é que, ainda no início de 2014, passei a antever o fim da hegemonia petista e o início de novos tempos na política brasileira. Se foi a economia o elo principal no sucesso de Lula e do PT, a mudança de sinal que ocorreu a partir de 2012, teria influência decisiva no apoio popular e político a seu projeto de poder. Um raciocínio simples e linear de um engenheiro formado pela Escola Politécnica.

E a compreensão dos problemas que a gestão da economia no primeiro mandato da presidente Dilma estava criando era um desafio simples para os economistas maduros em sua profissão. Estou anexando para melhor visualização do leitor sobre a mudança de sinal da economia um gráfico muito inteligente elaborado pela empresa de consultoria econômica LCA sobre a evolução das vendas ao varejo até julho passado. E ele mostra de forma definitiva a razão para a desconstrução gradual do poder petista ao longo dos últimos quatro anos.

grafico-varejo

A LCA dividiu as vendas do varejo em dois grupos distintos, agregando no primeiro os produtos ligados à renda do consumidor e no segundo os ligados à disponibilidade de crédito bancário. As vendas de alimentos, vestuário e outras despesas domésticas estão no bloco de bens ligados à renda do consumidor, enquanto que automóveis, eletrodomésticos e outros bens de consumo duráveis compõem o núcleo principal do segundo.

As curvas destes dois grupos construídas a partir de 2003 em números índices são autoexplicativas, pela divergência entre elas. Enquanto as vendas de produtos ligados à renda real do consumidor estão praticamente constantes após junho de 2013, as vendas dos produtos dependentes do crédito apresentam, entre seu ponto máximo atingido em dezembro de 2013 e os dados de junho último, uma queda de quase 25%.

O gráfico permite uma observação reveladora da bolha de consumo criada artificialmente pelo governo no ano eleitoral de 2014: o início da queda cíclica do consumo de bens duráveis deu-se a partir do último trimestre de 2013 e, 12 meses depois, os gastos dos consumidores já apresentavam uma queda de 15%. Esta data marca o início do fim do ciclo iniciado em 2004 e o momento em que a política econômica deveria ter mudado de sinal.

Mas o governo, alarmado com o furo da bolha em um ano eleitoral como já havia acontecido em 2010, acionou os bancos públicos e criou uma superoferta de crédito ao consumo. Como resultado, nos meses anteriores à eleição presidencial, o consumo ligado ao crédito recuperou mais da metade da perda dos doze meses anteriores, voltando próximo ao pico da série em 2012.

Passadas as eleições, com a mudança da política econômica do governo Dilma, a bolha furou de vez. Não foi possível repetir a mágica das medidas anticíclicas utilizadas nos primeiros anos da era Dilma pois a inflação e a deterioração das contas públicas impediam isso. O boom de commodities criada pela demanda chinesa já era coisa do passado, o endividamento do consumidor ultrapassava os limites do razoável e a inflação obrigou o Banco Central a subir os juros de forma agressiva. Ou seja, desta vez, de forma diferente do que ocorrera em 2011, o governo teve que enfrentar a desaceleração da economia com uma política recessiva e de busca de ajustes estruturais. Mas já não tinha o apoio da sociedade e do sistema político para levar adiante o programa econômico desenhado pelo novo ministro da Fazenda. A população, sentindo-se enganada pela campanha eleitoral de Dilma reagiu de forma agressiva retirando seu apoio ao governo e às medidas impopulares propostas pelo palácio do planalto.

A partir de agora temos que acompanhar os acontecimentos na economia e na política para antever o desenho de uma nova hegemonia de poder que substituirá a que encerra agora com o colapso do chamado Lulo Petismo. Mas aconselho ao leitor muito cuidado em suas previsões, pois ainda não visualizo as condições necessárias para criação desta nova referência. Basta olhar para a mudança 180º na relação do governo com o presidente do senado.

Já na economia vamos continuar a sangrar, pois as consequências do estouro da bolha de consumo ainda estarão entre nós por pelo menos mais um ano. Por isto o apoio popular ao governo Dilma deve continuar no chão até pelo menos as eleições municipais de 2016.

Fonte: Valor Econômico

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