A interessante história Sueca: o livre mercado e o socialismo | Phi Investimentos

A interessante história Sueca: o livre mercado e o socialismo

A interessante história Sueca: o livre mercado e o socialismo

Suécia

Como a maior parte dos países do mundo, a Suécia, no início do século XIX, também tinha a maior parte de sua população vivendo em áreas rurais. Como a região do país –próxima ao polo norte- não o faz uma potência da agricultura, até acontecerem mudanças nas políticas econômicas, foi uma nação muito pobre.

Apesar disso, no final do século 18 e no começo do 19, o governo transferiu grandes propriedades rurais para a população, incentivando o livre mercado na produção e comércio de matérias-primas. Além do investimento em infraestrutura no país, como estradas e canais, nesta época houve o surgimento de sociedades de crédito para gerar capital. A Suécia também foi o primeiro país do mundo a ter escolas públicas e gratuitas segundo a EH (Economic History Association), tornando-a alfabetizada e com maior capacidade econômica e produtiva, começando então uma época de prosperidade.

Daí até 1950 –quando a nação já era a quarta mais rica do mundo-, o livre mercado era a tônica que comandava a economia sueca.O jornalista e historiador sueco, Johan Norberg, conhecido mundialmente pelo livro In Defense of Global Capitalism, disse em seu artigo que “entre 1850 e 1950, a renda per capita da Suécia foi multiplicada por oito, e a população dobrou. A mortalidade infantil caiu de 15% para 2%, e a expectativa de vida aumentou extraordinários 28 anos”.

Johan conta que “a formação de capital e a criação de riqueza se mostraram tão abundantes na Suécia durante a depressão global de 1930, que até mesmo os social-democratas do governo da época praticaram uma forma de ‘negligência salutar’ para garantir que a prosperidade continuaria”.

Somada às reformas pró livre mercado, a não participação nas duas guerras mundiais também foi fator importante na manutenção do crescimento sueco, afinal, suas estruturas industriais continuaram intactas enquanto grandes partes da Europa estavam em ruínas. Eles construíram à época um importante estoque de capital, advindo das políticas de livre mercado e direitos à propriedade.

O estado de Bem Estar Social

É interessante saber que a cultura na Suécia é baseada no cooperativismo, confiança social e relativa honestidade, o que fez possível essa grande ascensão econômica, que foi intensa até 1970. A partir de então, o governo social-democrata, que governava desde os anos 30, começou a imputar políticas socialistas no país. Apesar de alguns aspectos assistencialistas terem se estabelecido logo no pós-guerra, o fato de serem ligados a instituições capitalistas não impactou a economia de forma intensa.

Com a chegada das décadas de 70 e 80, os suecos puderam ver um estado assistencialista crescendo enormemente, diversos benefícios governamentais criados, leis trabalhistas rígidas, setores estagnados da economia começaram a ser subsidiados pelo estado, entre outras medidas.

Durante esse período, a Suécia viu seus déficits orçamentários aumentarem muito, sendo que a dívida do governo quase quadruplicou de 1975 a 1985. A inflação de preços subiu para quase 16%, agravando-se por seguintes desvalorizações das taxas de câmbio para estimular as exportações.

Saindo do buraco

A partir de 1985, o país implementou uma desregulamentação do mercado financeiro, o que incentivou uma enorme facilitação ao crédito. De 1985 a 1989, o Riksbank aumentou em 975% seus empréstimos ao sistema bancário. Isso gerou uma bolha imobiliária,interrompendo a expansão de crédito no país, que estourou em 1990 criando uma recessão que durou até 94. Neste ano, foram feitas reformas bancárias e diversos cortes em programas assistencialistas, envolvendo a adoção de novas mudanças pró-mercado que devolveram parte da eficiência econômica aos nortenhos. O governo privatizou, fez diversas desregulamentações, reduziu os impostos e viu os salários terem aumento real de quase 70% nas décadas seguintes aos anos 90.

Hoje o país ainda tem uma intensa carga tributária, mas muito melhor aplicada do que em países como o Brasil.O governo oferece aos cidadãos suecos um sistema de saúde, creches, ensino superior, licença custeada para os pais e mães quando os filhos nascem, além de licença médica também custeada.

Com alto padrão de vida e saúde, o assistencialismo convive com uma sociedade econômica com bastante liberdade. Para Johan Norberg o motivo é esse: “uma razão para isso é que nós compensamos esses entraves com uma economia mais livre e mais desregulamentada que os outros países. Na classificação do Instituto Fraser, a Suécia e a Dinamarca possuem mais liberdade econômica que os EUA no que diz respeito à estrutura legal e aos direitos de propriedade; nossa moeda é mais sólida (temos menos inflação), nosso comércio internacional é mais livre e menos protecionista, e nossa regulamentação sobre as empresas e sobre o mercado de crédito é mais baixa. Não temos aquela infinidade de leis que regulamentam profissões e licenças ocupacionais, as quais bloqueiam a concorrência em vários outros países”.

A conclusão para os estudiosos e historiadores sobre a Suécia é relativamente unânime: a fase em que as políticas socialistas foram implementadas foi a única nos últimos 100 anos na qual o país entrou em recessão. Mesmo o reconhecido economista Paul Krugman, congratulado com o Prêmio Nobel, não exita em dizer que as medidas pró-mercado tomadas nos anos 90 são o grande motivo do seu recente sucesso e a retomada da economia da Suécia.

Escrito por Larissa Moutinho, jornalista MTB 6805, assessora responsável pela comunicação da TORO Investimentos. Foi editora da Revista ADVFN e jornalista da InvestMais. Pós-graduada em marketing e pós-graduanda em finanças.

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