Bitcoin: a tão temida bolha é realmente relevante? | Phi Investimentos

Bitcoin: a tão temida bolha é realmente relevante?

Bitcoin: a tão temida bolha é realmente relevante?

Muito tem se falado em criptomoedas nos últimos meses, especialmente em sua principal representante: Bitcoin. Os números envolvidos neste novo mercado são impressionantes: a principal exchange brasileira encerrou o ano de 2017 com uma base de mais de 700 mil clientes cadastrados, contra aproximadamente 200 mil no ano anterior. A estimativa é que a cada dia sejam feitos 10 mil novos cadastros, o que nos permite dimensionar as proporções gigantescas de crescimento deste mercado. Para se ter uma ideia, a Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) fechou o ano de 2017 com um total de 619 mil investidores pessoa física, ou seja, menos que a principal das diversas exchanges brasileiras de criptomoedas.

O volume financeiro também assusta: enquanto durante todo o ano de 2016 essa mesma exchange movimentou um volume de R$105 milhões, em dezembro de 2017 o volume financeiro chegou a impressionantes R$120 milhões por dia. O volume financeiro médio diário da BOVESPA no mesmo período foi de R$9,708 bilhões considerando toda sua base de clientes.

Mas o que significam todos esses números?

A resposta é simples. As criptomoedas foram o investimento mais comentado de 2017. Muitas pessoas alheias ao mercado financeiro passaram a investir em bitcoins, principalmente devido ao crescimento estrondoso da moeda. Ela começou o ano de 2017 cotada por volta dos R$3.450,00 e terminou o mesmo ano cotada a R$48.270,00, resultando em um crescimento de assustadores de 1.300% no ano.

Boa parte dos investidores começaram a comprar bitcoins a partir da metade de 2017, principalmente a partir do último trimestre do ano. No exato momento que este artigo está sendo escrito, a bitcoin está cotada a R$35.500,00. Isso significa que a maioria dos investidores que comprou a moeda após o dia 29/11/2017 já está tendo prejuízo.

Portanto, será mesmo relevante a existência de uma bolha para que boa parte dos investidores tenha prejuízo operando bitcoins?

A resposta é simples: NÃO. Basta uma simples oscilação diária de preços para que uma parcela significativa dos investidores em bitcoins fique no vermelho, não é necessário sequer o estouro da suposta bolha. E por incrível que pareça, essa situação não se resume a criptomoedas e bitcoins, ela é mais comum do que imaginamos e se repetiu várias vezes ao longo da história.

Na mais recente das vezes, a crise do subprime no ano de 2008, muitas pessoas perderam todas suas economias em poucos dias de pânico nos mercados. No ano de 2006, o número de investidores pessoa física na BOVESPA era de aproximadamente 219 mil. Já no ano seguinte, em 2007, a bolsa paulista terminou um ano com um total de 456 mil investidores pessoa física, mais do que o dobro, o que significa que mais da metade das pessoas começaram a investir na bolsa apenas um ano antes do estouro da crise.

Basta uma pesquisa rápida em artigos e notícias da época para entender o porquê: o investimento em ações estava no seu auge, muitas matérias contavam histórias de pessoas que haviam ficado ricas investindo na bolsa, os noticiários mostravam diariamente os recordes do índice Ibovespa, que fechou o ano de 2007 acima dos 63.000 pontos. O resultado disso foi que em 2008 o Ibovespa fechou na casa dos 37.000 pontos, a grande maioria das pessoas que começou a investir na bolsa após 2006 perdeu grande parte do seu dinheiro, vendendo ações por preços cada dia mais baixos durante o pânico que tomou os mercados mundiais.

O mais estranho disso tudo, é que os anos 2000 foram a década de ouro da bolsa brasileira

O Ibovespa terminou o ano de 2002 na casa dos 11.000 pontos, fechando o ano de 2009 acima dos 68.000 pontos, um crescimento de impressionantes 500%. Ou seja, mesmo passando pela crise de 2008, quem começou a investir na BOVESPA em 2002 ganhou um bom dinheiro. Porém, dos 456 mil investidores pessoa física que terminaram o ano de 2007 investindo na bolsa brasileira, apenas 85 mil já investiam nela no ano de 2002.

Qual a conclusão sobre Bitcoin?

Nada substitui o investimento consistente ao longo dos anos. A mágica do mercado financeiro está nos juros compostos, no investimento e no reinvestimento ao longo dos anos, de forma disciplinada e, principalmente, consciente. Sempre vão surgir novas modas, novos investimentos milagrosos do momento, mas a história nos mostra que muitas vezes o risco destes modismos simplesmente não compensa o possível retorno.

Escrito por Felipe Fuchs, engenheiro agrônomo, investidor e entusiasta de bolsa e criptomoedas. Envie um e-mail para Felipe clicando aqui

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