Brasil tem nota de crédito rebaixada, mas mantém perspectiva estável | Phi Investimentos

Brasil tem nota de crédito rebaixada, mas mantém perspectiva estável

Brasil tem nota de crédito rebaixada, mas mantém perspectiva estável

O Brasil encontrava-se em uma posição frágil após o corte de nota de crédito feito pela Moody´s (agência de classificação de risco), que revisou a nota soberana de “Baa2” para “Baa3” (que se iguala à categoria “BBB-” no rating da Standard & Poor’s) na última terça-feira, 11 de agosto de 2015.

Apesar da queda, a Moody’s manteve a perspectiva do país como “estável” e isso gerou um grande alívio ao governo brasileiro, já que o temor maior era que a agência mudasse a classificação do grau de investimento do país como “negativa”. Isso indicaria risco maior de outro rebaixamento, o que levaria à perda do grau de investimento.  “A qualificação da nota é estável porque o Brasil tem suporte a choques externos, não tem problemas no balanço de pagamentos, não há saídas significativas no fluxo de capitais e tem reservas robustas”, informou Mauro Leos, analista sênior para América Latina da agência Moody’s.

Apesar do rebaixamento, diversas ações subiram no “after market” da Bovespa. Itaú PN (-0,21%), Bradesco PN (-0,03%) e Petrobras PN (-1,20%) terminaram o pregão regular em baixa, mas no after market, Itaú PN subiu 1,68%, Bradesco PN, 1,95%, e Petrobras PN ganhou 0,30%. O Ibovespa Futuro de agosto reagiu, fechando em alta de 1,01%, aos 49.850 pontos.

Confira no infográfico abaixo, como as agências de classificação de risco Moody´s, Standard & Poor’s e Fitch, trabalham seus ratings:

AVALIAÇÃO DE RISCO
Escala de notas de crédito globais das agências de classificação:

Web

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Como a Moody´s atribui notas de crédito

Aaa: são consideradas da mais alta qualidade, sujeitas ao nível mais baixo de risco de crédito.
Aa: são consideradas de alta qualidade e estão sujeitas a um risco de crédito muito baixo.
A: são consideradas de grau superior médio e estão sujeitas a baixo risco de crédito.
Baa: são consideradas de médio grau e estão sujeitas ao risco de crédito moderado e, por isso, podem apresentar certas características especulativas.
Ba: especulativo. Há risco de inadimplência mais elevado, particularmente por mudanças adversas nos negócios e na economia ao longo do tempo. No entanto, há alternativas financeiras ou de negócios para honrar compromissos.
B: são consideradas especulativas e estão sujeitas a elevado risco de crédito.
Caa: são consideradas especulativas de baixo resultado e estão sujeitas a risco de crédito muito elevado.
Ca: são altamente especulativas, têm baixos resultados, com alguma perspectiva de recuperação do principal e juros.
C: a classificação mais baixa atribuída pela Moody”s e apresenta poucas perspectivas de recuperação do principal ou juros.

A Moody`s acrescenta modificadores 1, 2, e 3 a cada rating genérico de Aa até Caa. O modificador 1 se classifica na mais alta posição dentro de sua categoria genérica de rating; o modificador 2 indica uma posição intermediária; e o modificador 3 indica a posição mais baixa em uma categoria genérica de rating.

Como a S&P atribui notas de crédito

AAA: rating mais alto atribuído pela S&P. Devedor tem capacidade extremamente forte para honrar seus compromissos financeiros.
AA: capacidade muito forte para honrar compromissos.
A: capacidade forte para honrar seus compromissos, mas é mais suscetível a efeitos adversos de mudanças na economia.
BBB: capacidade adequada para honrar compromissos, mas condições econômicas adversas podem levar a um enfraquecimento na capacidade de pagamento.
BB: primeiro grau de rating especulativo. Devedor é menos vulnerável no curto prazo do que os devedores com ratings mais baixos. No entanto, enfrenta grandes incertezas no momento e exposição a condições adversas poderiam levá-lo a uma capacidade inadequada para honrar compromissos.
B: atualmente tem capacidade para honrar seus compromissos financeiros, mas condições adversas de negócios, financeiras ou econômicas provavelmente prejudicariam a capacidade e a disposição de pagamento.
CCC: atualmente vulnerável e dependente de condições favoráveis para honrar seus compromissos financeiros.
CC: devedor está atualmente altamente vulnerável. A avaliação CC é utilizada quando o default ainda não ocorreu, porém a S&P espera que seja praticamente certo.
R: devedor avaliado como R está sob supervisão regulatória em decorrência de sua condição financeira.
SD e D: devedor avaliado como SD (default seletivo) ou D está em default em uma ou mais de suas obrigações financeiras, incluindo obrigações financeiras avaliadas ou não. O rating ‘D’ também será usado quando a Standard & Poor’s acredita que o default será geral e que o devedor não conseguirá pagar todas, ou quase todas, as suas obrigações no vencimento.

Os ratings de AA a CCC podem ser modificados pela adição de um sinal de mais (+) ou de menos (-) para mostrar a posição relativa dentro das principais categorias de rating.

Como a Fitch atribui notas de crédito

AAA: mais alta qualidade de crédito, considerado improvável que seja afetada por eventos previsíveis. Reflete a menor expectativa de risco de inadimplência e é atribuído em casos de excepcional capacidade de pagamento.
AA: expectativa muito baixa de risco de inadimplência, considerado não significativamente vulnerável a eventos previsíveis. Capacidade muito elevada de pagamento.
A: qualidade de crédito alta e baixa expectativa de risco de inadimplência. Capacidade de pagamento pode ser mais vulnerável a alterações nos negócios ou na economia, mas ainda é considerada forte.
BBB: boa qualidade de crédito. No momento, existe baixa expectativa de risco de inadimplência. A capacidade de pagamento é considerada adequada, mas mudanças adversas nos negócios e na economia podem limitar essa capacidade.
BB: especulativo. Há risco de inadimplência mais elevado, particularmente por mudanças adversas nos negócios e na economia ao longo do tempo. No entanto, há alternativas financeiras ou de negócios para honrar compromissos.
B: altamente especulativo. Há significativo risco de inadimplência, mas ainda com uma limitada margem de segurança. Os compromissos estão sendo honrados, mas a capacidade de seguir em dia é vulnerável à deterioração nos ambientes de negócios e econômico.
CCC: risco de crédito substancial. A inadimplência é uma possibilidade real.
CC: risco de crédito muito alto. Algum tipo de inadimplência é provável.
C: risco de crédito excepcionalmente alto. A inadimplência é iminente ou inevitável, ou o emissor está sem alternativas. As condições que levam o rating de um emissor para a categoria “C” incluem:

a)período de carência ou de cura após o não pagamento de uma obrigação financeira.
b) emissor negocia “perdão” temporário ou acordo após a inadimplência.
c) RD ou D iminente ou inevitável, incluindo o anúncio formal de uma troca de dívida coercitiva.

RD: inadimplência restrita. Emissor está inadimplente no pagamento de uma dívida, mas não entrou legalmente em processo de recuperação judicial, intervenção administrativa, liquidação ou encerramento formal ou que não encerrou suas atividades. A categoria RD inclui:

a) inadimplência seletiva no pagamento de uma classe específica ou dívida em determinada moeda.
b) expiração, sem sucesso, de uma eventual carência, período de cura ou tolerância dos credores da inadimplência após suspensão de um pagamento de dívida bancária, títulos no mercado de capital ou outra importante obrigação financeira.
c) extensão de múltiplos perdões ou período de tolerância após a inadimplência em um pagamento de uma ou mais importante obrigação financeira, em série ou em paralelo.
d) execução de uma troca de dívida coercitiva de uma ou mais obrigações financeiras.

D: inadimplência.
Ratings D indicam que um emissor entrou com pedido de recuperação judicial, intervenção administrativa, liquidação ou processo de encerramento formal ou que encerrou suas atividades.

A estimativa criada pela agência Moody´s difere dos cálculos feitos pelo governo, mostrando que a dívida bruta subirá para o equivalente a 67% do PIB em 2016 e ficará próxima de 70% do PIB em 2018, permanecendo em nível elevado depois.

Segundo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, a declaração da Moody’s é bastante detalhada e transparente. Levy acredita que tal informação trouxe indicação das prioridades que o governo deve ter para manter a qualidade da dívida pública. Manter o selo de bom pagador é importante para o Brasil porque a perda de tal selo influenciaria diretamente em como grandes fundos internacionais se relacionariam ao país.


Escrito por Larissa Moutinho, jornalista MTB 6805, assessora responsável pela comunicação da TORO Investimentos. Foi editora da Revista ADVFN e jornalista da InvestMais. Pós-graduada em marketing e pós-graduanda em finanças.

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