O momento para investir em ações de small caps já passou? | Phi Investimentos

O momento para investir em ações de small caps já passou?

O momento para investir em ações de small caps já passou?

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Procurando boas oportunidades em small caps, mesmo em um mercado desafiador como o atual? Então confira a seguir a entrevista que Walter Maciel, sócio-executivo da nossa parceira Quest Investimentos, deu para o jornal Valor Econômico.

Walter Maciel, da Quest: “Os preços estão mais atraentes do que há um ano. Não me parece um ponto de entrada ruim, desde que se olhe no mínimo um ano.”

Paciência curta, ganho minguado

Os fundos “small caps”, de empresas de menor valor de mercado, estão entre as carteiras com pior desempenho no ano, com prejuízo médio de 7,5%, atrás apenas dos setoriais. Os investidores reagiram: os resgates superaram as entradas nessas carteiras em R$ 597 milhões no ano. O patrimônio líquido hoje, de R$ 2,12 bilhões, é 73% do observado ao fim de 2013. Para os gestores que investem nessas ações de menor liquidez, os investidores estão saindo no momento errado e vão perder a hora da virada, ainda que não consigam enxergá-la no horizonte de curto prazo.

Um estudo realizado pela provedora de dados Morningstar a pedido do Valor mostra que o gestor brasileiro foi capaz de gerar retorno adicional em relação ao Índice BM&FBovespa Small Cap (SMLL) desde que o referencial foi criado, em 2006, até 2013, já que somente é possível fazer o estudo para anos fiscais fechados.

O retorno médio de 49 fundos abertos classificados como small caps no acumulado do período foi de 65,44%, já descontada a taxa de administração, enquanto o indicador de referência avançou 50,03%. Ocorre que, segundo a pesquisa, nos movimentos de entrada e saída, o investidor mais perdeu bons momentos do que escapou de prejuízos, ganhando em média 54,6%.

Em resumo, o levantamento da Morningstar mostrou que a falta de paciência e a tentativa de acertar os melhores momentos de entrada e saída custaram 10,84 pontos percentuais de ganho ao investidor, tirando a maior parte da vantagem em relação ao índice.

Há exemplos esdrúxulos, em que o investidor ficou no negativo enquanto a carteira teve sucesso. É o caso do fundo small caps mais antigo ainda aberto da gestora do Bradesco, voltado para o cliente de alta renda. O gestor bateu de longe o índice, mostra o estudo da Morningstar, com ganho de 138,53% no período. Já os investidores entraram e saíram na hora errada. A média dos retornos efetivamente obtidos pelos aplicadores que passaram pela carteira no período foi um prejuízo médio de 6,57%. Ou seja, poucos estavam nos momentos de vacas gordas e muitos nos períodos de vacas magras.

“Quem está resgatando agora vai ter pegado a pior janela. E vai perder a volta”, diz Werner Roger, gestor do fundo small cap da Victoire. A carteira teve forte captação em 2013, depois de ter entregado nada triviais 52,21% de ganho em 2012. O prejuízo de 2,39% no ano passado e a queda neste ano de 23,34% afugentaram esse aplicador, que sacou grande parte dos recursos aplicados recentemente.

Roger diz já ter visto esse filme. O histórico mostra que o fundo da Victoire perdeu 42,28% em 2008. Quem se assustou e saiu nesse momento perdeu a retomada: a carteira rendeu 89,99% em 2009 e outros 44,66% em 2010.

De acordo com o estudo da Morningstar, o investidor que tivesse entrado na carteira da Victoire em 2006 e ficado por oito anos teria ganhado 112,1%. O aplicador em geral não se comportou assim, entretanto, obtendo retorno médio no período bastante inferior, de 12,73%.

Não que Werner veja a virada para small caps no curto prazo. O ano foi conturbado pelas eleições, Copa do Mundo e alta dos juros básicos e ainda há indefinições, como da equipe econômica, diz o gestor. A mensagem que ele procura passar ao investidor, entretanto, é que as ações do portfólio estão perdendo valor por questões conjunturais, não pelos fundamentos. E toda essa queda, diz, deixou o fundo barato.

A Victoire fez pequenas mudanças no portfólio. O segmento industrial, cujo destaque é Marcopolo, continua tendo maior peso na carteira, mas passou de 40% a 30% do valor sob gestão. Agronegócio ganhou espaço e vem em segundo lugar, com 25% do patrimônio, concentrados em São Martinho e Kepler Weber. Estão ainda entre as principais posições Ferbasa, Alpargatas e Providência. A principal alteração foi a saída de Eztec, diante do entendimento de que o setor imobiliário pode ser prejudicado pela alta nos juros.

O retorno médio dos fundos small caps neste ano fica atrás somente das carteiras setoriais, como as que carregam somente ações da Petrobras e da Vale, com prejuízo de 11,19% até 19 de novembro. Em 2013, eles tinham sido os fundos de pior retorno, com perda de 10,39%, decepcionando quem tinha se deixado levar pelo retorno passado. Essas carteiras captaram R$ 444 milhões em 2013, na esteira do ganho médio de 20,56% em 2012.

Depois do forte triênio 2010 a 2012, o período recente de crescimento econômico baixo reduziu a atratividade das small caps, diz Jorge Ricca, gerente-executivo de fundos de ações da BB DTVM. Esse tipo de fundo investe em empresas de menor porte, em geral mais ligadas à dinâmica doméstica. Ao longo de 2014, as previsões dos analistas para a economia foram revisadas várias vezes para baixo. À medida que o crescimento não era entregue, os fluxos eram redirecionados das small caps para ações mais defensivas e de maior peso no índice, que estavam mais descontadas, afirma Ricca.

Este pode ser visto como um ponto de entrada na estratégia. “Justamente nesses momentos em que você tem um período relativamente longo de desempenho negativo – estamos indo para o segundo ano – é que começam a aparecer oportunidades para investimentos de longo prazo nas small caps”, diz o gestor. Para ele, a tendência é que 2015 seja um ano de acertos na política econômica, essenciais para um crescimento mais robusto. “Se os ajustes forem bem-sucedidos, acredito que isso crie uma condição melhor para small caps”, diz.

Quem aplica agora na estratégia, considera, deve pensar no prazo de no mínimo dois anos. Para os mais cautelosos, como há expectativa de um ano desafiador à frente, uma estratégia defensiva em bolsa pode ser mais recomendável, afirma Ricca.

A tese para o setor de agronegócio é aquela em que o gestor da BB DTVM tem mais convicção hoje. O entendimento é que as empresas estão com preços descontados e devem se beneficiar de um cenário externo mais favorável. São Martinho e SLC Agrícola fazem parte da cesta. Em um segundo plano vem educação, setor visto como um dos pilares do governo atual.

“Os preços estão muito mais atraentes do que há um ano. Não me parece um ponto de entrada ruim, desde que se olhe no mínimo um ano”, diz Walter Maciel, sócio-executivo da Quest Investimentos. Entre os setores eleitos está o de educação, com os papéis de Kroton e Abril Educação.

Para Maciel, o contexto econômico que favoreceu teses como a da educação vai continuar por pelo menos mais 15 anos. O fundamento está ligado ao crescimento de renda da população, que proporcionou uma transição da cesta de consumo de bens, como eletroeletrônicos, para a busca por mais qualidade de vida, que favorece segmentos como de educação, saúde e lazer. “Acho que os temas estão intactos, somente estamos passando por um momento de baixa dinâmica econômica”, diz o executivo, para quem há muito mais a ganhar nas pequenas do que nas grandes, como Petrobras e Vale.

As duas maiores posições do fundo de small caps da Quest são hoje Cosan e Cetip, que Maciel enxerga como preparadas para passar de maneira suave pelo período turbulento que vê à frente. Receitas estáveis e a baixa concorrência são atrativos nas companhias. “Estamos olhando para empresas que consigam manter suas margens”, afirma. O portfólio inclui ainda Weg, vista como provável beneficiária de um quadro de falta de energia elétrica.

Empresas do setor educacional também atraem a gestora do Santander. “São empresas que vão se desempenhar bem na parte operacional independentemente do cenário macro de crescimento menor e inflação um pouco mais elevada”, diz Roberto Reis, superintendente de gestão de fundos da Santander Asset Management.

Assim como a Victoire, a casa zerou a posição em construção civil neste ano. Para Reis, a desaceleração do setor, com menos lançamentos, ajuda a entender o desempenho ruim do índice small cap da Bolsa em 2014, com queda de 10,71%, já que responde por cerca de 15% do referencial.

Seja como for, Reis não acha que é hora de deixar esses fundos. “A cabeça para small caps deveria ser mais de médio e longo prazo, porque são empresas em fase de crescimento, com prazo de maturação maior”, defende.

Se serve de consolo, não é somente o investidor brasileiro que boicota seus próprios ganhos em small caps. Uma matéria publicada pela “Bloomberg” em outubro, a partir de um estudo da Morningstar com fundos de nicho americanos, o que inclui os “small caps”, mostra que investidores individuais ficaram 3,1 pontos percentuais em média por ano atrás dos fundos em que aplicaram ao longo da última década. Os investidores tratam as small caps como modismo, conclui a reportagem.

Fonte: Valor Econômico

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