O sonho de ficar rico ficou mais distante? Com a palavra: Gustavo Cerbasi | Phi Investimentos

O sonho de ficar rico ficou mais distante? Com a palavra: Gustavo Cerbasi

O sonho de ficar rico ficou mais distante? Com a palavra: Gustavo Cerbasi

ADVFN JAN 13 - Entrevista concedida por Gustavo Cerbasi a jornalista Larrisa Moutinho (ADVFN) em Curitiba no evento da TORO Investimentos no restaurante Madalosso em Outubro de 2012Revista ADVFN / Ano 5 / Jan 2013

Entrevista concedida por Gustavo Cerbasi, a jornalista Larisa Moutinho (ADVFN) em Curitiba, no evento realizado pela PHI Investimentos e Icatu Seguros para seus clientes e parceiros no restaurante Madalosso em outubro de 2012.

Para investir tem que ter base.
O sonho de ficar rico ficou mais distante? Com a palavra: Gustavo Cerbasi.

Muito se falou ao longo do ano sobre a crise financeira mundial. Procurando aquecer a economia, o Brasil tomou uma série de medidas, como diminuir a Selic, interferir nos juros, reduzir o IPI em alguns setores, etc. Nesta seção, não abordaremos se tais ações foram corretas ou não, mas sim olharemos as mudanças de frente, em busca do “e agora”?

Para buscar a resposta, a equipe da Revista ADVFN esteve em um encontro sobre educação financeira, ministrado por Gustavo Cerbasi. O evento, realizado pela Icatu Seguros em parceria com a PHI Investimentos, teve como foco Investimentos para o Futuro. Afinal, o sonho de ficar rico, de alcançar a independência financeira e de garantir um futuro tranquilo ficou mais distante? Para Gustavo Cerbasi, a resposta é: “muito pelo contrário”.

Antes disso, queremos apresentar a você o entrevistado deste mês. Não nos limitaremos a contar que Gustavo Cerbasi é formado em Administração Pública, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), tem especialização em Finanças pela Stern School of Business- New York Universitye pela Fundação Instituto de Administração (FIA) e é mestre em Administração e Finanças pela FEA/USP. Ele também é professor em cursos de pós-graduação e MBA pela FIA, além de ministrar palestras ao redor do país, aliando a experiência prática e acadêmica em finanças dos negócios, planejamento familiar e economia doméstica. Tudo isso você provavelmente já sabe, afinal, Cerbasi foi reconhecido como um dos 100 brasileiros mais influentes em 2009, segundo a revista Época. O que queremos dividir com você é a experiência do entrevistado em fazer os próprios investimentos. Como ele chegou à independência financeira e como faz para mantê-la? Quais os passos cruciais para torná-lo tão conhecido em todo o Brasil, mesmo que o brasileiro tenha fama de não poupar e não saber fazer investimentos? E o que faz com que esse mesmo brasileiro pare para ouvi-lo? Confira a seguir a visão de Cerbasi.

DICAS PARA INVESTIR – Gustavo Cerbasi é autor de 12 livros na área de Educação financeira. um repertório que já vendeu mais de 1,4 milhão de exemplares. Confira os títulos:

Casais inteligentes enriquecem juntos, Dinheiro – Os segredos de quem tem, Filhos inteligentes enriquecem sozinhos, Finanças para empreendedores e profissionais não financeiros, Investimentos inteligentes, Mais tempo, mais dinheiro, As mulheres e o dinheiro, Cartas a um jovem investidor, Como organizar sua vida financeira, Guia para investir em ações, Pais inteligentes enriquecem seus filhos.

Investimentos Inteligentes com Gustavo Cerbasi. A TORO Investimentos e a Icatu Seguros realizaram na última terça-feira, no restaurante Madalosso, o evento Investimentos Inteligentes com a presença do autor, palestrante e especialista em finanças Gustavo Cerbasi. O evento contou com a presença de mais de 200 convidados, que assistiram uma apresentação sobre finanças pessoais, estratégias de investimento e como encontrar o equilíbrio entre a vida financeira e a vida pessoal. Após a palestra, foi servido um jantar com a culinária típica do restaurante e promovido um tira-dúvidas informal com o palestrante. Na tarde do dia do evento, Gustavo Cerbasi participou de entrevistas e esteve na TORO Investimentos, conhecendo a estrutura do escritório e conversando com a equipe da empresa.“O melhor investimento continua sendo aquele com o qual a pessoa se sinta bem ao fazê-lo”
Gustavo Cerbasi – Outubro 12 / Curitiba, em entrevista durante evento da PHI Investimentos.

  • Atualmente estamos vivendo uma conjunção de fatores, como juros mais baixos, Selic mais baixa, crise econômica, etc. O sonho de ficar rico ficou mais distante?

Não. O sonho de ficar rico é tão viável no Brasil de hoje quanto no passado e acredito que até mais viável, porque no passado havia a modelagem de planejamento que envolvia lidar com renda fixa, com mercado e bolsa de valores, por exemplo, que apresentavam desempenhos muito desequilibrados positivamente, mas que em algum momento iriam se saturar e é o que está acontecendo agora. Então, quando você tem uma condição de enriquecimento que não se sabe quando vai acabar, você tem a figura da incerteza. O que nós temos hoje é um cenário de achatamento generalizado nos ganhos, mas com uma certeza muito grande ou alta probabilidade dessa condição se preservar ao longo dos anos. O que vejo hoje é que a figura do especialista, do orientador, do analista está ficando cada vez mais valorizada, para que a pessoa que hoje não vê grande diferenciação entre investir em imóvel, bolsa ou renda fixa encontre o momento certo de balancear a sua carteira, de entrar nos momentos de baixas para vender nos momentos de alta. Cada vez mais o ativo está se tornando menos importante e a estratégia mais importante para o investidor brasileiro. Talvez a meta de alcançar o primeiro R$ 1 milhão, ou R$ 10 milhões, tenha ficado mais difícil. Aquele objetivo de acumular durante 30 anos para chegar ao primeiro R$ 1 milhão ficou mais difícil nessa realidade, só que nessa economia mais saudável, se a pessoa não chegar a R$ 1 milhão, mas chegar a R$ 250 mil, R$ 500 mil, a condição dessa pessoa para abrir um negócio ou se tornar sócia de uma empresa ficou muito mais fácil, então significa que existem múltiplas possibilidades de fazer renda no futuro com o patrimônio formado, mesmo que esse patrimônio não seja tão volumoso e tão livre de risco como era no modelo da Selic mais elevada do passado.

  • Existem várias formas de investir, além da bolsa, como previdência, abrir o próprio negócio ou imóveis. Hoje, para você, qual seria o melhor caminho?

Acho que o caminho é a educação financeira. E ao defender isso não estou puxando a sardinha para o meu lado. O melhor investimento continua sendo aquele com o qual a pessoa se sinta bem ao fazê-lo. Pensando assim, fica muito mais fácil criticar essa moda do empreendedorismo. Hoje se fala frequentemente que está muito fácil empreender, abrir uma franquia, etc., mas há certa irresponsabilidade em chamar a pessoa para abrir uma empresa, se ela não tiver tempo de fazer um curso de administração, de relações comerciais ou de estratégia para que entenda o que está fazendo. Da mesma forma que parece muito seguro e fácil investir em imóveis, mas existem regiões com potencial de valorização e existem regiões decadentes. Investir em imóveis hoje requer um trabalho muito grande de pesquisa, de envolvimento, de estudo, com os diretores da cidade e do estado, de expansão do m²… Então não é tão fácil assim investir em nenhum segmento ou em nenhum mercado real. Daí a grande importância do mercado financeiro, no qual, de maneira padronizada, as pessoas acessam não só ativos de forma fracionada, mas também os especialistas que fazem o acompanhamento do mercado e que orientam sobre o momento adequado de investir ou não. Mas, com certeza, o mercado financeiro não é a maneira mais rentável de se construir um patrimônio. Se você comparar a possibilidade de investir em ações com o potencial lucro que você tem ao montar um negócio, montar um negócio tem um potencial muito maior de resultados. E quanto isso vai consumir em energia e tempo? Isso deve ser colocado na balança. As pessoas têm que entender que mercado financeiro, na relação custo-benefício, talvez seja o mais interessante dos investimentos para quem tem pouco tempo, para quem ainda está construindo a sua carreira profissional e para quem ainda pensa em dedicar algum tempo, no futuro, aos investimentos.

  • Qual o mínimo de tempo que alguém deve disponibilizar para investir em ações?

Eu entendo que o bom investidor vai despender, pelo menos, de 1/3 do tempo dele para investir em ações, seja através de cursos, de análises ou de fóruns e debates com especialistas. E isso não vale só para ações, mas para investimento em imóveis ou qualquer tipo de commodity. Quem dedica esse tempo vai conseguir se diferenciar da média do mercado. A pessoa que não tem esse tempo deve procurar os serviços de conveniência, como, por exemplo, fundos ou um plano de previdência, para que especialistas montem a sua carteira, façam a gestão desse capital, contando com o envolvimento que a pessoa ainda não tem. Não descarto, por exemplo, um plano de previdência, ao contrário do que alguns especialistas fazem ao dizerem que esse produto é caro. Previdência não é cara quando ela entrega uma solução de planejamento, de distribuição de ativo, de montagem de carteira com benefício fiscal em troca de uma remuneração que o gestor tem que receber, porque é o tempo que está valorizando o serviço dele. Agora, a partir do momento em que a pessoa consegue se dedicar mais aos investimentos, ela vai, gradualmente, se envolvendo com os investimentos de maneira mais ativa, o que elimina o custo da gestão. Mas, é uma irresponsabilidade induzir a pessoa a seguir um caminho independente, se ela ainda não tem conhecimento suficiente para fazer boas escolhas.

  • Em outra entrevista que nos concedeu, você disse que, desde 1998, vinha seguindo um mesmo tipo de estratégia para chegar à independência financeira. Permanece seguindo a mesma estratégia?

Não, porque naquela época eu tinha uma estratégia de balanceamento de carteira, que alternava entre renda fixa e ações. Pela conveniência, eu sempre fui um profissional com pouco tempo para a pesquisa, mas sendo professor de finanças, eu entendia muito de títulos públicos e de empresas, então essa estratégia de balanceamento de carteira funcionou muito bem até eu conquistar a minha independência financeira em um patamar elevado. Primeiro conquistei o primeiro nível de independência, até que cheguei a uma condição de vida em que vivo do meu patrimônio. Então distribui meu patrimônio 1/3 em renda fixa, 1/3 em imóveis e 1/3 em ações. Mas, ao mesmo tempo, 100% dessa carteira tem uma característica de renda fixa. Por que considero assim? Porque sou, do ponto de vista financeiro, um aposentado, eu vivo dos rendimentos da minha carteira. Então, por exemplo, minha carteira de imóveis, em grande parte, ou é de renda de aluguel ou de fundo imobiliário. Já mais de 90% da minha carteira de ações é formada por empresas que pagam bons dividendos e a carteira de renda fixa é de instrumentos diferenciados para superar o CDI.

  • Previdência inclusive?

Eu tenho um produto de previdência, mas, nesse caso, pensando como um seguro para a minha família, porque tenho uma carteira complexa de investimentos. Na atual condição, a minha família ainda deve sofrer um processo de inventário, em caso de minha falta, que demore certo tempo, então tenho uma bela fatia da minha carteira em previdência para disponibilizar automaticamente recursos para os meus filhos se eu vier a faltar. Obviamente não é um valor que chega a 30% da minha carteira, porque tenho outros contratos de direitos autorais que se revertem automaticamente para os meus filhos, em caso de minha morte. Mas, previdência para mim é um seguro.

  • No mercado acionário, especificamente, você diversifica ou investe só em blue chips?

A maior parte da minha carteira de ações foi comprada na crise 2002, que foi a crise da eleição do Lula. Quase toda a minha carteira é composta por empresas que pagam bons dividendos e sendo uma carteira comprada nas crises, é praticamente invendável, isto é, não compensa vendê-la, mesmo que eu tenha um bom lucro acumulado, porque a receita recorrente que ela gera é muito boa. O que aconteceu nesse processo todo é que a maior parte dessa carteira de ações baseia-se na escola fundamentalista, buscando empresas com bons potenciais de crescimento, só que, com a evolução da minha carreira, o tempo para me dedicar a essa análise foi acabando, então colhi ótimos resultados até 2008 – na verdade até 2007, quando concentrei parte das minhas vendas – e nos períodos de 2009 e 2010. Com isso, produzi lucros e compus uma carteira geradora de receitas, que é ideal para o meu perfil de independência financeira. Hoje, a interpretação que faço do investimento financeiro é que não trabalho para pagar as minhas contas, na verdade, os meus investimentos é que pagam as minhas contas e eu trabalho para aumentar o meu patrimônio.

  • Então, períodos como os de 1999, 2002, 2008 e 2010 não mexeram com você de forma alguma?

Pelo contrário! Muito cuidado com a forma como se aborda isso, porque esses são os períodos de maior euforia. Eu tenho uma carteira extremamente passiva até o ponto em que me aproximo de uma crise. É nessa época que eu dou uma raspada na minha renda fixa e compro papéis pensando em vendê-los em um prazo relativamente curto, então passo a mergulhar na análise fundamentalista mesmo. O ano de 2008 foi muito introspectivo no meu trabalho, período em que eu viajei bastante dando palestras e aproveitava bem os momentos da viagem. Não lancei nenhum livro naquele ano, justamente para poder estudar muito e comprar barganhas. Então, não torço por crises, mas se elas vierem serão muito bem-vindas, para que eu desmonte um pouquinho esse equilíbrio que a minha carteira tem hoje.

  • Então, não vivemos uma crise atualmente?

No Brasil, não. Aqui nós temos crise institucional e política, uma dificuldade de crescimento, um sentimento de frustração, mas não um sentimento de perda decorrente da quebra de expectativas. O Brasil está em um momento de expectativas e se a bolsa está em um patamar de estagnação é por falta de interesse do investidor e devido ao encolhimento do mercado, mas não por perda de valor real dos seus negócios. Não vejo a bolsa brasileira nem muito barata nem muito cara hoje, é uma bolsa de manutenção.

  • Li, recentemente, uma notícia que comparava a performance das várias bolsas do mundo e trazia a notícia de que as bolsas dos países do BRICS, incluindo o Brasil, foram as que tiveram os piores rendimentos, ao se comparar com os países desenvolvidos. Em sua opinião, o que traz tanto medo em relação à bolsa brasileira?

A instabilidade institucional. O Brasil ainda é visto como frágil, do ponto de vista de preservação das suas regras, com mudança muito fácil de leis e de normas para funcionamentos de empresas. Então, da mesma forma que o Brasil dificulta a entrada de empresas estrangeiras também dificulta o reconhecimento dos investidores estrangeiros de que as empresas brasileiras tendem a ter sucesso.

  • Mesmo assim, para quem está dentro do país, ainda vale a pena investir?

A vantagem de quem está dentro do Brasil é a de conhecer os meandros das empresas. Há diversas publicações, não apenas sobre investimentos, que falam sobre negócios, trazem os perfis dos gestores das empresas, abordam as melhores empresas para se trabalhar e que tem contato com as pessoas que trabalham nas companhias e que falam sobre o clima desses negócios. Então, existe quase que uma inside information por trás do investidor local, que faz com que ele consiga acompanhar mais de perto esse mercado, da mesma forma que um brasileiro, ao ir morar em Nova Iorque, perderá essa condição, pois uma pessoa que mora no exterior está muito mais distante da nossa realidade do que uma pessoa que convive no dia a dia com as nossas notícias.

  • Poucos profissionais hoje, ainda mais nessa área, são tão conhecidos no Brasil como você. Em sua opinião, o que te diferencia dos demais? Quais os passos que foram necessários para construir o Cerbasi?

Sempre tive algumas preocupações muito evidentes em meu trabalho. Primeiro, o cuidado total com a comunicação. Eu tenho consciência do público com o qual me comunico, então zelo pelas palavras certas, pela reflexão correta, pela linha de raciocínio. Não gosto de fazer palestras de bloquinhos e ficar mudando de assunto. Para mim, a condução das ideias é importante para que o assunto flua. Outro ponto é que sempre tentei ser muito honesto na entrega total de uma solução. Tem muita gente que dá palestras e escreve livros com o intuito de trazer pessoas para a própria consultoria.

Eu nunca tive agenda para absorver uma demanda além do limite da capacidade do livro ou da palestra, então pro-curo entregar uma solução total tanto no livro quanto na palestra. E tenho outra preocupação que é com a isenção.

Mesmo que eu esteja em um evento patrocinado, posso mencionar marcas sem a ideia de vendê-las e sempre que vou falar sobre determinado produto ou empresa procu-ro entender o que está na cabeça de quem vende aquele produto. Por exemplo, é quase uníssono no mercado que consultores financeiros critiquem título de capitalização e eu não faço coro a essa crítica, porque capitalização é um dos mais importantes produtos do mercado financeiro para quem, por exemplo, não tem o hábito de investir e joga em loteria. Ele é o primeiro passo para induzir uma pessoa que tem a tendência de acreditar na sorte a fazer uma reserva financeira e, quando acumular R$ 1 mil, ser convidada a fazer outro investimento inteligente. Então quando você entende o que está por trás daquela pessoa que está vendendo, você respeita o profissional e vai tomar cuidado com qualquer crítica que possa fazer. Então, eu prefiro, ao invés de criticar um produto no sentido de apontar qual “é bom” e qual “é ruim”, induzir o público a avaliar as qualidades e os defeitos de cada produto para concluir o que é bom para cada um e, nisso, acabo sendo amparado por todos os tipos de empresas do mercado, diferentemente de alguns profissionais que são odiados pelas empresas de capitalização e seguros, pelas empresas de previdência, pelas empresas de fundos ou pelas corretoras, porque assumiram uma posição arbitrária, sem avaliar o outro lado. Para mim, não existe um produto melhor, existem os prós e os contras para cada produto e empresa, cabe à educação orientar as pessoas a fazerem as escolhas mais adequadas para cada um.

  • No passado, quando você estava focado em aumentar patrimônio através de ações, você comentou que visitava algumas empresas e que tinha contato com diretores de RI. Você ainda faz esses contatos?

Não, agora é mais um contato político. Costumo encontrar os diretores em eventos e nas palestras que faço, quando há alguém que queira me conhecer eu me apresento. Naquele tempo, eu era professor de análise de balanços e análise fundamentalista, então era o meu papel educar os alunos a encontrar estudos que não eram publicados nos jornais, porque aquilo tornava as aulas mais interessantes. Então, se eu dava aula, em média das 8h às 22h30, ou seja, quase 14 horas por dia, eu tinha que ter exemplos ricos, tinha que acompanhar os grandes jornais e revistas da área, analisar todos os balanços publicados possíveis, para fazer análises variadas.

E as aulas, principalmente as da manhã, eram muito ricas, porque os alunos saiam delas para tomarem suas decisões sobre investimentos, então isso fazia com que eu tivesse uma responsabilidade muito grande. Minha grande vantagem, na época, foi, além de ser um bom analista, receber dos alunos, até como trabalho de lição de casa, análises de dezenas de empresas que ainda não tinham sido realizadas por uma corretora ou por um veículo especializado e pude fazer muitos bons investimentos, baseado em trabalhos escolares. Era muito comum abrir em sala de aula uma Bloomberg ou uma Economática e ali, com informações financeiras instantâneas, por meio de uma análise publicada no dia, tomar uma decisão de investimentos para executar meia hora depois.

  • O que seria ótimo para o atual momento, para nós que estamos acompanhando o dia a dia de small caps e blues chips e estamos testemunhando o encolhimento de algumas corretoras, inclusive na parte de cobertura. Com isso, algumas empresas estão ficando sem cobertura e esse trabalho de educação dos alunos talvez ajudasse a trazer um olhar sobre empresas que estão sendo penalizadas por não terem um acompanhamento…

Exatamente! Existem dois aspectos ruins, primeiro, esse encolhimento e limitação das carteiras analisadas e, segundo, o excesso de especialização. Eu vejo profissionais muito bons em projeções de fluxo de caixa, em valuation, precificando ações, mas deixando de ir a cafés da manhã de empresas com seus fornecedores e clientes ou deixando de conhecer o mercado como um todo. No passado, eu observava que havia muitas pessoas que vinham do mercado para as corretoras e hoje vejo que muitas pessoas estão vindo das faculdades direto para as corretoras, sem o contato com o mercado. Há uma relação muito fria nessa análise de investimentos, então aquela visão meio Waren Buffett de conhecer o negócio para fazer uma análise eu considero fundamental e acho extremamente incompleta qualquer análise, seja ela fundamentalista ou técnica, se não se somar à outra. O fundamentalista é incompleto sem o técnico, e o técnico é incompleto sem o fundamentalista.

O sonho de ficar rico é tão viável no Brasil de hoje quanto no passado e acredito que até mais viável.

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