Painel Bolsa Brasileira: um excelente investimento no longo prazo | Phi Investimentos

Painel Bolsa Brasileira: um excelente investimento no longo prazo

Painel Bolsa Brasileira: um excelente investimento no longo prazo

Gestores especialistas em renda variável revelam os desafios e as oportunidades do mercado de ações. Spoiler: a perspectiva é bastante otimista para os próximos anos

Realizado na última segunda-feira, 03, pela Phi Investimentos em parceria da Guide Investimentos com apoio da Escola de Negócios PUC Paraná e Câmbio Curitiba, o I° Simpósio de Investimentos do Paraná – INVESTSIM abordou, entre outros temas, a bolsa de valores brasileira através de um painel exclusivo, destacando o que pode ser considerado o “melhor investimento do país nos últimos 60 anos”. Todavia, embora corroborado por diferentes índices, apenas 1% dos brasileiros investem em ações, principalmente em virtude da falta de conhecimento e “má fama” dos denominados ativos de risco, o que pode ser traduzido em números: estima-se que apenas cerca de 700 mil pessoas invistam na B3. A título de comparação, o número de investidores na bolsa dos Estados Unidos é de aproximadamente 150 milhões de pessoas ou quase metade da população.

Sob tal contexto e diante de um auditório lotado (registrando quase 500 participantes), Luiz Felipe Constantino, gestor de renda variável do Opportunity – com mais de R$50 bilhões administrados – introduziu um rápido panorama do segmento de renda variável no país. Animado com as perspectivas futuras no médio prazo, o mesmo destacou o trabalho de corte de custos/despesas das companhias durante a mais recente crise brasileira: “...acreditamos tanto no crescimento da receita, quanto do lucro nos próximos anos (…) ainda há muito espaço ocioso nas fábricas, comprovando este potencial de crescimento” concluiu. Dentre os demais indicativos que justificam tal otimismo, destaca-se o preço por lucro (P/L) que, uma vez excluídas Petrobras e Vale, registram uma média de 11,7X negociados (quando a média histórica é de 12,5X): “dado o cenário que estimula a retomada econômica, consideramos negócios múltiplos com prêmio em relação à história”, registrou.

Constantino ainda discorreu a respeito das empresas que estão no radar do Opportunity, destacando o desempenho da BR Distribuidora. “A BR é um caso que consideramos bastante interessante porque o mercado mantém-se cético com a empresa e os setores petroleiro/logístico. Com isso, perde-se a visão macro de potencial como um todo”, acrescenta. O gestor revelou que, embora concentrado, o setor também é fragmentado, o que permite margens mais elevadas. E mostrou que o movimento de migração do público para os pontos de combustível “bandeira branca” (temido por parte do mercado), vem sinalizando baixa histórica em termos de preferência, revelando a retomada dos líderes do setor, ampliando, por consequência, o potencial da referida empresa.

Por fim, o palestrante ressaltou o otimismo com o futuro governo Bolsonaro, enfatizando a importância estratégica dos presidentes da câmara e senado, bem como a aprovação da reforma da previdência e agenda de privatizações, sobretudo no que diz respeito a contenção do crescimento da dívida bruta nacional. “É preciso ter cautela. Todavia, se o futuro ministro Paulo Guedes conseguir executar a agenda de reformas proposta, certamente o mercado se comportará com otimismo” concluiu.

Medo do desconhecido e outras desculpas para não investir em ações

Já o gestor de renda variável do fundo Alaska, Henrique Bredda, buscou desmistificar as principais barreiras de entrada na hora de se investir na bolsa de valores, enfatizando a aversão histórica dos brasileiros aos “onipresentes” períodos de crises. “Para quem está preocupado com as manchetes de jornais, não faltarão desculpas para evitar a bolsa. Sempre haverá crises. Contudo, mesmo diante da volatilidade, o Ibovespa prova-se sólido o suficiente, garantindo excelentes taxas de retorno para quem sabe investir” disse.

Bredda atestou que um dos principais problemas é a “pressa” ou a busca por lucros surreais no curto prazo. “O Ibovespa, por exemplo, mesmo diante de cenários de instabilidade, entregou 26X do IGPDI. Já quem aplicou na renda fixa sequer dobrou o capital investido. Isso demonstra porque testemunhamos vários “velhinhos ricos” com produtos de renda variável, mas nunca “velhinhos ricos” amparados na renda fixa. E ainda dizem, por alguma razão, que nada bate o CDI. Isso não corrobora com a realidade no longo prazo. É preciso ter paciência e resiliência”, enfatiza.

Risco real x risco percebido

O palestrante destacou também a importância de analisar o ativo real em que se pretende investir e não apenas as subidas de preço ao longo dos anos. “Muitas vezes, o risco do investimento não está no investimento em si, mas na forma como olhamos os gráficos. Se ficarmos acompanhando o desempenho de uma ação diariamente, provavelmente seremos impactados psicologicamente com os altos e baixos do mercado. Já se acompanharmos anualmente, os gráficos mostram-se mais lineares. E assim, sucessivamente. O importante é manter-se sereno e focar no ativo real” completou, ratificando que a pressão por notícias e a correria do dia-a-dia podem afetar as tomadas de decisões dos investidores.

O que mais influencia a bolsa brasileira

Na visão de Bredda, um erro comum por parte do mercado é tecer uma correlação da bolsa com o PIB. “Não há esta correlação. Tem hora que cresce junto, tem hora que não” analisa. Para o mesmo, a política é consequência da economia (e não o contrário). “O que a gente entende é que os acontecimentos políticos são reféns dos acontecimentos econômicos, dos ciclos econômicos em si. E estamos vendo uma recuperação cíclica, muito por conta das commodities que estão turbinadas pela própria ociosidade gerada e recuperação cíclica do mercado interno (…) com boa parte da nossa economia ancorada no desempenho das commodities, outros setores acabam se beneficiando. Logo, a política é um canal paralelo de menor protagonismo”.

Ao concluir, Bredda enfatizou: “(…) é preciso entender o quanto vale no longo prazo o preço de uma ação. E o verdadeiro valor de uma ação não repousa em uma notícia acerca da prisão de segunda instância de tal diretor ou no “tarifaço” do presidente norte-americano Donald Trump. No longo prazo, tais circunstâncias tornam-se menos relevantes diante do que as companhias são verdadeiramente capazes de produzir, entregar e valorizar. Compreender essa regra é essencial para ser bem sucedido na bolsa”.

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