Para Paul Krugman, situação do Brasil não é tão ruim quanto parece | Phi Investimentos

Para Paul Krugman, situação do Brasil não é tão ruim quanto parece

Para Paul Krugman, situação do Brasil não é tão ruim quanto parece

“Não vai ser neste ano e talvez não seja no próximo. Com a inflação menor, os juros vão voltar a cair e isso vai aliviar as contas do governo brasileiro”, afirmou o vencedor do Nobel de Economia em 2008.

Durante palestra realizada esta semana na HSM ExpoManagement, o economista norte-americano Paul Krugman promoveu a discussão sobre a situação econômica do Brasil e também fez um paralelo entre a realidade atual do país e o momento vivido pelo Canadá. Ganhador do prêmio Nobel de Economia em 2008, Krugman foi eleito um dos “10 Pensadores mais Influentes” pela Bloomberg em 2013. Autor de mais de 20 livros e com centenas de artigos publicados, o economista e professor de Economia da Princeton University é uma das pessoas mais influentes quando se trata de finanças internacionais.

Para o Krugman, um dos maiores problemas do Brasil atualmente é a falta de credibilidade. O fato do país ter sido agrupado aos BRICs (mesmo tendo pouco em comum com os outros países desse grupo de emergentes) fez o Brasil virar “moda” e isso atraiu muitos investidores internacionais. O problema é que não havia garantia suficiente para mantê-los ativos no país e o resultado foi a diminuição de investimento externo.

Foto divulgação: Getty Images
Foto divulgação: Getty Images

“Acontece que o Brasil nunca teve um crescimento de produtividade que justificasse um investimento externo grande”, explica Krugman.

Com essa “popularização”, a dívida externa cresceu. “Aprendemos que dívidas em moeda estrangeira deixam o país muito vulnerável”, reforça o economista. Isso, somado as decisões do governo brasileiro em aumentar as taxas de juros e os cortes orçamentários emergenciais, causou pânico na população e ajudou a aumentar a desconfiança no mercado.

Junte a esse cenário a desvalorização no preço das commodities, as acusações de gastos descontrolados e os escândalos de corrupção, e está feito o quadro para uma recessão econômica: “A história não está do lado de vocês. As vulnerabilidades tradicionalmente agregadas ao Brasil estão emergindo”, explica Krugman e emenda um alerta: “Com a perda de confiança, as taxas de juros aumentaram e o Brasil caminha na mesma direção da Grécia”.

Brasil e Canadá

Comparando o Brasil ao Canadá, Krugman revela que o país norte-americano também sofreu uma desvalorização de sua moeda e enfrenta uma bolha imobiliária prestes a explodir. Porém, diferente do Brasil, o Canadá não possui histórico de inflação alta e o governo optou por aumentar apenas algumas taxas, sem elevar os juros. Além disso, procura estimular as empresas a investirem em infraestrutura, mesmo que a consequência seja o endividamento. “No Canadá não houve esse pânico que houve aqui. Eles se sentem capazes de ficarem mais relaxados”, revela Krugman.

O economista explica que o mercado de capitais foi um fator chave para a intensificação da crise brasileira. Segundo ele, a variação cambial levou o governo a tomar medidas extremas para se sustentar e isso, a curto prazo, não é viável. “Criou-se um buzz em relação aos BRICs. O Brasil ficou muito popular, muito atrativo para investimentos. Mas o investimento veio e saiu”.

A solução virá, mas demorará alguns anos

Segundo Krugman, o Brasil tem plena possibilidade de superar a crise atual. “Sou levemente pessimista no curto prazo. A longo prazo, se acalmem, pois mesmo que as coisas estejam sombrias não são tão ruins assim como parecem”. O economista afirma que a diminuição da inflação permitirá ao Banco Central (BC) diminuir os juros, o que resultará em uma oportunidade para o governo virar o cenário a seu favor. Para ele, hoje a economia brasileira desfruta de uma estrutura mais sólida. “É a alta do câmbio que influencia a inflação e não fatores estruturais como aconteceu nos anos 90”, esclarece Krugman. “Daqui a algum tempo, os investidores internacionais verão que houve um excesso de pessimismo em relação ao Brasil”, complementa.

O economista é otimista e prevê uma recuperação em médio prazo. “O declínio do Real vai ficar para trás, a inflação vai cair e a pressão das taxas de juros sobre a economia será aliviada. Já podemos vislumbrar um resultado melhor. O declínio da moeda é transitório”, assegurou.

Ao mesmo tempo, Krugman traz dois alertas: o Brasil precisa ficar atento à política monetária dos Estados Unidos, que prevê um aumento nas taxas de juros no próximo mês, e ainda mais importante, ao possível início de uma crise na China. Se a desaceleração do crescimento levar o país a uma crise intensa, haverá deflação, uma depreciação ainda maior no preço de commodities e baixo crescimento mundial. “Não acredito muito nessa possibilidade, mas gostaria de estar mais certo sobre isso. Isso vai afetar muita gente, inclusive o Brasil”, finaliza o economista.

Foto divulgação: HSM ExpoManagement
Foto divulgação: HSM ExpoManagement

Paul Krugman participou do HSM Expomanagement em São Paulo, no dia 10/11/15, no Auditório Principal.

Escrito por Larissa Moutinho, jornalista MTB 6805, assessora responsável pela comunicação da PHI Investimentos. Foi editora da Revista ADVFN e jornalista da InvestMais. Pós-graduada em marketing e pós-graduanda em finanças.

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