Mercado reflete perda do grau de investimento no Brasil. E agora? | Phi Investimentos

Mercado reflete perda do grau de investimento no Brasil. E agora?

Mercado reflete perda do grau de investimento no Brasil. E agora?

A insistência em apresentar um orçamento deficitário do governo federal ao Congresso gerou o temido rebaixamento do Brasil para o grau especulativo. Após meses de muita manobra política e econômica, o Brasil não conseguiu sustentar aos olhos da agência de classificação de risco Standard & Poor’s o selo de bom pagador. A agência alegou falta de habilidade e de vontade ao governo Dilma Rousseff e mudou a avaliação do Brasil de BBB- para BB+.

Se antes a crítica da agência havia sido direcionada para deputados e senadores por dificultar a crise, agora o foco foi a falta de comprometimento do governo com as contas públicas. O grau reflete as incertezas no momento e o risco de calote. A agência também ressaltou perspectiva negativa para o país, afirmando que há “uma chance em três” de a situação piorar.

Qual a importância do selo de bom pagador?

Este é um selo que atesta que o país é um lugar seguro para investidores e costuma ser exigido por fundos de investimento e pensão. A aplicação é considerada apta, entretanto, com o aval de duas agências, por isso o mercado reflete medo que a saída desses investidores em massa possa ocorrer caso mais alguma agência rebaixe a nota brasileira.

Para as agências Moody`s e Fitch, o Brasil ainda se mantém como bom pagador. A primeira avalia o país como Baa3 – um ponto acima de perder o selo – e a segunda, como BBB, dois degraus da linha de corte.

A equipe econômica da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP) reagiu opinando que o país deve enfrentar novas perdas de grau de investimento ainda esse ano. “O país parou e a decisão da Standard & Poor’s reflete o fato que estamos num beco sem saída. A agência sabe que o plano de aumento de impostos não passaria pelo Congresso porque há rejeição à essa ideia lá e a agência também sabe que o corte de despesas não ocorrerá da forma que precisa para o país tentar melhorar sua situação fiscal. Ou seja, não há sinal de que caminhamos para algum lugar”, disse Fabio Pina, economista da FecomercioSP, em entrevista ao jornal Valor Econômico.

Vale lembrar que foi a S&P também a primeira a elevar o Brasil para o grau de investimento, em abril de 2008. Fitch e Moody’s o fizeram depois, em maio de 2008 e setembro de 2009, respectivamente.

Empresas afetadas

Um dia após reduzir a nota do país, Standard & Poor’s também reduziu a nota de mais de 30 empresas brasileiras. Com a mudança, 24 perdem o selo de boas pagadoras, incluindo a Petrobras (indo de BBB- para BB) e a Eletrobras (para BB+).

No setor de bancos, Itaú Unibanco, Santander Brasil, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica e BNDES também perderam grau de investimento, ficando no mesmo patamar BB+ do soberano. Confira nesta reportagem do Valor outros bancos com rebaixamento.

As mudanças também afetaram os setores de infraestrutura e energia, tirando o selo de boas pagadoras de: Comgás, Elektro, Neoenergia, Atlantia Bertin, Arteris, CCR e Ecorodovias, além de subsidiárias dessas companhias. Também sofreram mudança no rating, com perspectiva negativa, Ambev, Globo Comunicação e Participações, Multiplan, Ultrapar, Votorantim Participações, Votorantim Industrial e Votorantim Cimentos.

Confira a lista completa de empresas nesta reportagem da Folha de S.Paulo: S&P também retira selo de bom pagador da Petrobras

Resposta ao mercado

Em entrevista coletiva, o ministro da fazenda, Joaquim Levy, voltou a frustrar as expectativas do mercado ao postergar para até o final do mês o envio de conjunto de reformas para a economia ao congresso nacional. De concreto, Levy revelou mudanças no ICMS e reforma do PIS/Cofins. Para o primeiro, o governo estuda, segundo o ministro: “convergência das alíquotas para o destino, de forma a fazer com que o imposto que o consumidor paga fique onde ele é pago”.

Já a mudança no PIS/Cofins tem como objetivo “simplificar a vida das empresas para dar mais segurança jurídica, transparência e universalidade. Nossa economia precisa sofrer uma certa reengenharia e se adaptar ao novo ambiente mundial. Precisamos de realocação de recursos, capital e mão de obra entre os setores, e ter uma neutralidade tributária facilita isso e o crescimento potencial do país”, afirmou Levy.

Ainda durante a coletiva, Levy, admitiu que o rebaixamento traz um impacto ruim para as empresas se financiarem. “O mercado não se sensibiliza com palavras e sim com ações. Por isso, apostamos na diminuição de gastos e maior eficiência do setor público, entre outras medidas. O governo já tem feito muitas economias e tem mostrado grande disciplina fiscal”.

O ministro do planejamento, Nelson Barbosa, descartou as especulações de calote: “E mais importante, o governo brasileiro continua a honrar todos os seus compromissos e contratos. As pessoas podem ficar tranquilas que isso é apenas uma avaliação de uma agência de risco, que é importante, nós trabalhamos para ter sempre a melhor avaliação por parte do mercado e também por parte de todos os agentes da economia”.

Como previsto, dólar e a bolsa de valores brasileira refletiram a decisão, levando o Banco Central a intervir no mercado de câmbio para conter o aumento do dólar. Os dois ministros reforçaram o compromisso com o retorno ao grau de investimento. O foco agora segue para o dólar, uma vez que o aumento aperta ainda mais as contas brasileiras.


Escrito por Larissa Moutinho,
 jornalista MTB 6805, assessora responsável pela comunicação da PHI Investimentos. Foi editora da Revista ADVFN e jornalista da InvestMais. Pós-graduada em marketing e pós-graduanda em finanças.

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